A forma como as cidades brasileiras planejam sua infraestrutura elétrica está passando por uma transformação. O crescimento urbano, a necessidade de maior confiabilidade no fornecimento de energia, a modernização dos espaços públicos e a exposição cada vez maior da infraestrutura a eventos climáticos severos colocam a resiliência das redes elétricas no centro das discussões sobre o futuro da distribuição.
Nesse cenário, as redes subterrâneas começam a ganhar espaço em projetos de modernização urbana e de expansão da infraestrutura elétrica.
O movimento ainda é seletivo e está longe de representar uma substituição generalizada das redes aéreas. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), apenas 0,4% da rede de distribuição de energia elétrica no Brasil é subterrânea atualmente. Em 2026, a Agência também abriu uma consulta pública para discutir a adoção de redes subterrâneas e outros padrões de rede que possam contribuir para aumentar a resiliência dos sistemas de distribuição.
Mais do que uma mudança na forma de instalar os cabos, pmnortanto, a discussão envolve planejamento urbano, confiabilidade, segurança, custos e capacidade de adaptação da infraestrutura às novas demandas das cidades.
Eventos climáticos reforçam a discussão sobre resiliência
Tempestades intensas, rajadas de vento, quedas de árvores, enchentes e outros eventos meteorológicos podem provocar impactos importantes sobre as redes elétricas aéreas, justamente pela exposição de postes, condutores e equipamentos ao ambiente.
A própria ANEEL aponta que as áreas atendidas por redes subterrâneas apresentam, em geral, menos interrupções e menor duração das interrupções no fornecimento. A infraestrutura também fica menos exposta a determinados agentes externos, como ventos fortes e tempestades.
Isso não significa que uma rede subterrânea esteja livre de falhas ou que sua implantação seja uma solução universal. Alagamentos, infiltrações, falhas em acessórios, dificuldades para localização de defeitos e maior complexidade de determinadas atividades de manutenção também precisam ser considerados desde a etapa de projeto.
A principal diferença está na exposição da infraestrutura. Ao retirar parte dos componentes do ambiente externo, a rede subterrânea modifica as condições às quais cabos, equipamentos e acessórios estão submetidos.
Por isso, a escolha entre uma solução aérea ou subterrânea deve considerar as características de cada local, os requisitos de confiabilidade, o perfil das cargas, as condições urbanas e os objetivos de longo prazo do projeto.
O cenário climático torna o planejamento ainda mais importante
A discussão sobre resiliência também acontece em um contexto de maior atenção aos eventos climáticos.
Em 2026, o Painel El Niño, elaborado por instituições como INPE, INMET, CEMADEN, ANA e outros órgãos federais, confirmou a ocorrência do fenômeno. O terceiro boletim, divulgado em setembro, apontou mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro, com possibilidade de anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 2 °C.
As projeções indicaram, de forma geral, maior probabilidade de chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média em partes do centro-norte do país.
É importante separar os fenômenos: o El Niño é um fenômeno climático natural e não deve ser tratado como consequência direta das mudanças climáticas, mas que pode ser intensificado por elas. Seus efeitos, porém, fazem parte de um contexto em que o setor elétrico precisa considerar diferentes cenários meteorológicos e seus possíveis impactos sobre a infraestrutura.
Nesse sentido, a questão deixa de ser apenas como responder a uma ocorrência depois que ela acontece. O planejamento passa a considerar também como tornar a infraestrutura mais preparada para diferentes condições de operação.
Redes subterrâneas começam a fazer parte da modernização urbana
A adoção de redes subterrâneas já aparece em iniciativas concretas de planejamento urbano.
Em Fortaleza, o Decreto nº 16.703, de 28 de agosto de 2026, instituiu o Programa Municipal de Transição da Fiação Aérea para Subterrânea. O programa estabelece diretrizes para essa transição e integra a discussão sobre infraestrutura elétrica ao planejamento da cidade.
Em Pernambuco, a Neoenergia anunciou um ciclo de R$ 9,7 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, incluindo projetos de embutimento da fiação elétrica em áreas de Boa Viagem e a conclusão da rede subterrânea do Recife Antigo.
São iniciativas com características diferentes, mas que ajudam a mostrar como as redes subterrâneas vêm sendo incorporadas a projetos que envolvem modernização, confiabilidade, organização do espaço urbano e expansão da infraestrutura elétrica.
Esse movimento também aumenta a demanda por conhecimento técnico e por soluções desenvolvidas para as condições específicas de instalação e operação de redes subterrâneas.
A transição não significa enterrar toda a rede elétrica
Apesar dos avanços, o custo continua sendo um dos principais fatores na tomada de decisão.
A implantação de uma rede subterrânea envolve muito mais do que substituir postes por cabos instalados abaixo do solo. São necessários projetos civis e elétricos integrados, sistemas de dutos, caixas e câmaras, equipamentos e acessórios específicos, além de planejamento coordenado entre os diferentes agentes envolvidos na infraestrutura urbana.
A própria ANEEL destaca o custo significativamente superior do enterramento em relação às redes aéreas e os possíveis impactos de uma expansão indiscriminada sobre as tarifas. Por isso, a discussão regulatória considera uma avaliação criteriosa das situações em que a solução subterrânea pode apresentar benefícios técnicos, econômicos e sociais.
Essa perspectiva favorece uma adoção estratégica e seletiva.
Áreas com alta densidade de carga, centros urbanos consolidados, regiões históricas e turísticas, corredores de infraestrutura, locais críticos para a continuidade do fornecimento e novos empreendimentos podem apresentar diferentes justificativas para a adoção de redes subterrâneas.
Em projetos de infraestrutura privada, por exemplo, a solução pode estar associada não apenas à confiabilidade elétrica, mas também ao planejamento do empreendimento, à organização do espaço e à integração com outras redes e sistemas.
O ponto central é que não existe uma única resposta para todas as cidades ou projetos. A definição da arquitetura mais adequada depende de uma análise técnica e econômica das características de cada aplicação.
O que muda tecnicamente em uma rede subterrânea?
Quando uma rede passa do ambiente aéreo para o subterrâneo, também mudam as condições de instalação, operação, manutenção e proteção dos seus componentes.
Cabos, terminações, emendas, conectores, dispositivos de proteção, equipamentos de manobra e demais acessórios precisam ser especificados considerando as características da instalação.
A qualidade da montagem também ganha importância. Em uma infraestrutura subterrânea, o acesso aos componentes pode ser mais restrito e determinadas intervenções exigem planejamento, equipamentos apropriados e procedimentos técnicos específicos.
Por isso, pensar em uma rede subterrânea significa considerar todo o sistema, e não apenas o cabo que ficará dentro do duto.
É justamente nessa visão integrada que a engenharia e o conhecimento técnico assumem um papel fundamental.
ELOS: conhecimento técnico aplicado às redes subterrâneas
A expansão das redes subterrâneas cria oportunidades, mas também exige preparo técnico em todas as etapas do projeto.
É nesse contexto que a ELOS Eletrotécnica atua, reunindo soluções, equipamentos, acessórios e serviços voltados à infraestrutura elétrica de baixa, média e alta tensão.
Nas redes subterrâneas, essa atuação envolve diferentes necessidades do projeto: desde a especificação e aplicação de acessórios para cabos até equipamentos de proteção e manobra, instalação, ensaios, suporte técnico e capacitação das equipes envolvidas.
Mais do que fornecer componentes, a experiência técnica é importante para compreender as características de cada aplicação e contribuir para que os equipamentos e acessórios sejam corretamente especificados e instalados.
Essa abordagem também se conecta a uma realidade importante do mercado: a modernização da infraestrutura elétrica depende de pessoas capacitadas para projetar, instalar, testar, operar e manter os novos sistemas.
Com mais de 26 anos de atuação no setor elétrico, a ELOS acompanha a evolução das redes e contribui para projetos que exigem conhecimento técnico, confiabilidade e atenção às particularidades de cada instalação.
O futuro das redes será definido pelo planejamento
O avanço das redes subterrâneas no Brasil não significa o desaparecimento das redes aéreas. As duas arquiteturas continuarão fazendo parte da infraestrutura elétrica, cada uma adequada a diferentes condições, necessidades e níveis de investimento.
O que está mudando é a forma de avaliar essas alternativas.
A necessidade de maior resiliência, os projetos de modernização urbana, o crescimento da demanda por energia e a evolução dos requisitos de infraestrutura fazem com que as redes subterrâneas passem a ocupar um espaço cada vez mais relevante no planejamento de determinados projetos.
Nesse cenário, a decisão de utilizar uma rede subterrânea precisa ir além da simples escolha entre cabos aéreos ou subterrâneos. É necessário avaliar projeto, equipamentos, acessórios, instalação, proteção, ensaios, manutenção, capacitação e ciclo de vida da infraestrutura.
É essa visão integrada que transforma uma obra subterrânea em uma solução de infraestrutura preparada para as necessidades atuais e futuras das cidades.
E, à medida que esse movimento avança, conhecimento técnico e experiência de campo tornam-se cada vez mais importantes para transformar projetos de redes subterrâneas em sistemas confiáveis e eficientes.

