Quando pensamos na Copa do Mundo, é natural que a atenção se volte para estádios, seleções e grandes eventos esportivos. Mas existe uma infraestrutura muito menos visível que também precisa estar preparada para receber milhões de pessoas, movimentar economias inteiras e garantir o funcionamento das cidades: a rede elétrica.
A edição de 2026 é sediada por Canadá, Estados Unidos e México, três países que possuem realidades distintas em relação à infraestrutura urbana e aos sistemas de distribuição de energia. Apesar das diferenças, todos enfrentam o mesmo desafio: garantir um fornecimento elétrico seguro, confiável e resiliente diante do crescimento das cidades e dos eventos climáticos cada vez mais intensos.
Nesse cenário, as redes subterrâneas ganham destaque como uma das estratégias mais importantes para aumentar a robustez dos sistemas elétricos urbanos.
O que são redes subterrâneas de energia?
Diferentemente das redes aéreas convencionais, que utilizam postes e cabos expostos ao ambiente, as redes subterrâneas conduzem os circuitos elétricos por meio de dutos e galerias instalados abaixo do solo.
Esse modelo reduz significativamente a exposição dos ativos elétricos a fatores externos como ventos fortes, queda de árvores, colisões de veículos, vandalismo e outros eventos que podem comprometer o fornecimento de energia.
Além da maior proteção física, as redes subterrâneas contribuem para a organização urbana, melhoram a estética das cidades e ampliam a segurança para a população.
Como os países da Copa lidam com seus desafios elétricos?
Embora compartilhem o papel de anfitriões da Copa do Mundo de 2026, Canadá, Estados Unidos e México enfrentam desafios bastante diferentes quando o assunto é infraestrutura elétrica.
No Canadá, as baixas temperaturas e os períodos prolongados de neve exigem sistemas capazes de operar em condições extremas. Em diversas regiões, a infraestrutura subterrânea surge como uma alternativa para reduzir impactos causados por tempestades de inverno e garantir maior continuidade do fornecimento
Nos Estados Unidos, a discussão sobre redes subterrâneas ganhou força principalmente em áreas frequentemente atingidas por furacões, tempestades severas e incêndios florestais. Em cidades costeiras e regiões sujeitas a eventos climáticos extremos, a proteção adicional proporcionada pelas redes enterradas tem sido considerada uma ferramenta importante para aumentar a resiliência urbana.
Já no México, além das questões relacionadas à confiabilidade do sistema, muitas iniciativas de modernização buscam melhorar a organização do espaço urbano, reduzindo a quantidade de cabos visíveis e promovendo maior integração entre infraestrutura e desenvolvimento das cidades.
Redes subterrâneas nos países do grupo do Brasil
Com cerca de 81% das redes de distribuição subterrâneas, a Escócia segue a estratégia adotada pelo Reino Unido para enfrentar ventos fortes, tempestades frequentes e condições climáticas severas. A elevada taxa de enterramento ajuda a reduzir falhas e aumenta a resiliência do sistema elétrico.
O Marrocos vem ampliando investimentos em infraestrutura urbana e modernização elétrica, especialmente em centros históricos e regiões turísticas. Embora os índices de enterramento ainda sejam modestos quando comparados aos europeus, o avanço ocorre de forma gradual, acompanhando o crescimento urbano e econômico.
O Brasil ainda possui menos de 1% de sua rede de distribuição subterrânea em escala nacional. A dimensão continental do país, os custos de implantação e o histórico de expansão rápida por meio de redes aéreas explicam parte desse cenário. Ao mesmo tempo, eventos climáticos cada vez mais intensos têm impulsionado discussões sobre a adoção estratégica de redes subterrâneas em circuitos críticos, áreas densamente povoadas e regiões de grande impacto econômico.
O Haiti enfrenta desafios estruturais muito maiores. Além das limitações econômicas, o país convive com furacões, terremotos e dificuldades de reconstrução da infraestrutura básica. Nesse contexto, a prioridade ainda é garantir acesso e confiabilidade mínima ao sistema elétrico.
Redes subterrâneas nos demais países da Copa do Mundo 2026
A Holanda é considerada uma das maiores referências mundiais em redes subterrâneas. Sua rede de baixa tensão é praticamente 100% subterrânea, resultado de décadas de planejamento urbano, alta densidade populacional e busca por confiabilidade no fornecimento de energia. O país também possui praticamente toda a rede de distribuição em média tensão instalada no subsolo.
Já a Alemanha investe fortemente em infraestrutura elétrica moderna para sustentar sua transição energética. Aproximadamente 60% das redes de média tensão e grande parte das redes de distribuição já são subterrâneas. A estratégia combina confiabilidade operacional, integração de energias renováveis e redução da exposição a intempéries.
Vemos uma maior aplicação das redes subterrâneas nos países europeus e, também, na Coreia do Sul. Demais países enfrentam desafios como limitações econômicas, situações climáticas adversas e demais questões de infraestrutura básica, colocando as redes subterrâneas mais abaixo na lista de prioridades.
O que podemos aprender com esses países?
A principal lição é que não existe uma solução única. Os países que hoje lideram os índices de redes subterrâneas não enterraram toda a infraestrutura de uma vez. O avanço ocorreu por meio de planejamento de longo prazo, priorização de áreas estratégicas e modernização contínua da rede.
Para o Brasil, o caminho mais realista não passa pelo enterramento total da rede elétrica, mas pela expansão gradual em circuitos críticos, centros urbanos de alta densidade, hospitais, data centers, áreas comerciais e novos empreendimentos, aumentando a resiliência do sistema e a segurança da população. É justamente nesse cenário que soluções especializadas para redes subterrâneas ganham cada vez mais importância para o futuro da infraestrutura elétrica nacional.
O que os indicadores internacionais mostram?
Os níveis de adoção de redes subterrâneas variam significativamente ao redor do mundo.
Países como Holanda e Alemanha se destacam por possuírem percentuais elevados de enterramento da rede elétrica, resultado de décadas de planejamento urbano, investimentos contínuos e estratégias voltadas para confiabilidade e segurança.
Em contrapartida, países de grande extensão territorial e redes amplamente desenvolvidas por meio de infraestrutura aérea, como o Brasil, ainda possuem uma participação relativamente pequena de redes subterrâneas em sua distribuição elétrica.
Esse cenário não representa necessariamente uma deficiência técnica, mas reflete diferentes contextos históricos, geográficos, econômicos e regulatórios que influenciaram a expansão dos sistemas elétricos ao longo das últimas décadas.
Redes subterrâneas não são uma solução única
Embora apresentem inúmeras vantagens, as redes subterrâneas não devem ser encaradas como uma solução universal para todos os sistemas elétricos.
Em países com dimensões continentais, como o Brasil, a substituição integral das redes aéreas seria economicamente inviável e operacionalmente complexa. Por isso, especialistas defendem abordagens mais estratégicas e graduais.
O caminho mais realista passa pela priorização de circuitos críticos, áreas de alta densidade populacional, regiões com histórico recorrente de interrupções e novos empreendimentos urbanos que possam incorporar a infraestrutura subterrânea desde a fase de planejamento.
Esse modelo permite ampliar a resiliência da rede de forma sustentável, equilibrando benefícios técnicos, segurança operacional e viabilidade econômica.
Resiliência elétrica será cada vez mais importante
As cidades modernas dependem da energia elétrica para praticamente todas as suas atividades. Hospitais, sistemas de transporte, telecomunicações, data centers, indústrias, serviços públicos e operações comerciais exigem fornecimento contínuo e confiável.
Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos vêm se tornando mais frequentes em diversas partes do mundo, aumentando a pressão sobre a infraestrutura elétrica.
Nesse contexto, discutir redes subterrâneas significa discutir resiliência, planejamento urbano e preparação para o futuro.
Mais do que uma questão estética, trata-se de avaliar como as cidades podem reduzir vulnerabilidades, proteger serviços essenciais e garantir maior segurança para a população.
O papel da ELOS na modernização da infraestrutura elétrica
A expansão das redes subterrâneas exige muito mais do que a instalação de cabos abaixo do solo. Esses projetos demandam engenharia especializada, acessórios de alta performance, conhecimento técnico e capacitação adequada das equipes responsáveis pela implantação e manutenção dos sistemas.
Há mais de 26 anos, a ELOS atua apoiando projetos de modernização da infraestrutura elétrica em baixa, média e alta tensão em diferentes regiões do país.
A atuação envolve o fornecimento de acessórios para redes subterrâneas, soluções para distribuição de energia, suporte técnico, engenharia de aplicação e treinamentos especializados, contribuindo para projetos que exigem elevados níveis de confiabilidade e segurança operacional.
Em um cenário em que as cidades buscam se tornar mais resilientes, sustentáveis e preparadas para os desafios do futuro, investir em infraestrutura elétrica de qualidade deixa de ser apenas uma necessidade técnica e passa a ser uma decisão estratégica.

