A infraestrutura elétrica brasileira vive um momento importante de discussão. Nos últimos anos, diferentes iniciativas legislativas e projetos municipais voltaram a colocar as redes subterrâneas no centro do debate sobre planejamento urbano, segurança, resiliência energética e modernização das cidades.
O tema não é novo. Há décadas, países que convivem com eventos climáticos severos ou com grandes centros urbanos vêm ampliando o uso de redes subterrâneas como parte de uma estratégia de longo prazo. Agora, o Brasil começa a discutir como essa realidade pode evoluir, respeitando as características econômicas, técnicas e urbanísticas de cada região.
Mais do que substituir postes por cabos enterrados, a discussão envolve planejamento de infraestrutura para cidades mais resilientes e preparadas para o crescimento tecnológico das próximas décadas.
O que está sendo discutido no Brasil?
Um dos principais movimentos ocorre no Congresso Nacional, onde tramita o Projeto de Lei nº 2.963/2024.
A proposta estabelece um prazo de 15 anos para que as redes de energia elétrica, telefonia, fibra óptica e televisão por assinatura passem a ser implantadas exclusivamente de forma subterrânea. Além disso, determina que novos loteamentos e edificações já sejam projetados considerando essa infraestrutura desde sua concepção.
Embora ainda esteja em tramitação, o projeto demonstra uma mudança importante na forma como o país passa a enxergar sua infraestrutura elétrica: não apenas como um sistema de distribuição de energia, mas como parte do planejamento urbano e da segurança das cidades.
Curitiba pode se tornar referência nacional
Enquanto o debate avança em Brasília, Curitiba iniciou um movimento prático.
A Prefeitura da capital paranaense, em parceria com o BNDES, Copel e órgãos municipais, iniciou estudos para estruturar uma parceria público-privada destinada à implantação gradual de redes subterrâneas.
O projeto pretende modernizar a infraestrutura urbana, reduzir acidentes, minimizar furtos de cabos, melhorar a qualidade da distribuição de energia e telecomunicações e preparar a cidade para tecnologias como 5G, Internet das Coisas (IoT) e futuras aplicações de cidades inteligentes.
Segundo o próprio BNDES, a intenção é que Curitiba funcione como um projeto-piloto que possa servir de modelo para outras cidades brasileiras.
Paraná amplia o debate sobre enterramento da rede
Além da iniciativa municipal, outro projeto em discussão no Paraná propõe uma transição ainda mais ampla.
O texto prevê que, em até seis anos, redes aéreas de energia elétrica, telefonia e internet sejam gradualmente substituídas por infraestrutura subterrânea, cabendo às concessionárias elaborar um plano de transição e executar as obras.
Independentemente da evolução legislativa, iniciativas como essa mostram que o tema deixa de ser uma discussão isolada e passa a integrar o planejamento da infraestrutura urbana brasileira.
Por que as redes subterrâneas recebem tanta atenção?
Os benefícios técnicos são conhecidos pelo setor elétrico há muitos anos.
Ao instalar cabos e acessórios em galerias ou dutos subterrâneos, a infraestrutura fica protegida contra fatores externos que normalmente afetam redes aéreas, como:
- queda de árvores;
- ventos intensos;
- colisões em postes;
- vandalismo;
- furtos de cabos;
- interferências causadas por obras superficiais.
Essa proteção contribui para aumentar a confiabilidade do fornecimento de energia e reduzir interrupções provocadas por eventos climáticos.
Além disso, as redes subterrâneas oferecem vantagens adicionais para os centros urbanos, como a redução da poluição visual, maior segurança para pedestres e trabalhadores, valorização imobiliária, melhor organização do espaço urbano e infraestrutura preparada para tecnologias digitais de alta capacidade.
O desafio não é apenas técnico
Apesar das vantagens, especialistas concordam que substituir toda a rede aérea brasileira por redes subterrâneas em curto prazo não é uma solução economicamente viável.
O Brasil possui uma das maiores redes de distribuição de energia do mundo, construída ao longo de décadas utilizando infraestrutura aérea. Uma substituição integral exigiria investimentos elevados, grande coordenação entre concessionárias, municípios e órgãos públicos, além de um longo período de execução.
Por isso, o caminho mais realista passa pelo planejamento gradual.
Circuitos que alimentam hospitais, centros comerciais, áreas históricas, polos industriais, regiões de alta densidade populacional e novas expansões urbanas tendem a ser candidatos naturais para projetos subterrâneos, enquanto novos empreendimentos já podem nascer preparados para esse modelo.
Essa estratégia permite ampliar a resiliência da rede sem comprometer a viabilidade econômica dos investimentos.
Infraestrutura preparada para as cidades do futuro
Outro fator que impulsiona essa discussão é a transformação das cidades.
Com o crescimento da mobilidade elétrica, da digitalização dos serviços públicos, das redes inteligentes (smart grids), da expansão do 5G e da Internet das Coisas, a infraestrutura elétrica passa a assumir um papel ainda mais estratégico.
Cada novo equipamento urbano conectado depende de uma rede confiável, segura e preparada para operar continuamente.
Nesse cenário, as redes subterrâneas deixam de representar apenas uma melhoria estética e passam a fazer parte do planejamento de cidades mais resilientes, inteligentes e sustentáveis.
A experiência da ELOS em projetos subterrâneos
Há mais de 26 anos, a ELOS Eletrotécnica participa de projetos de infraestrutura elétrica em todo o Brasil, fornecendo acessórios para redes subterrâneas de baixa, média e alta tensão.
Além do fornecimento de soluções técnicas, a empresa atua com engenharia de aplicação, apoio à especificação, treinamento de equipes e suporte técnico para concessionárias, indústrias, loteamentos, empreendimentos imobiliários e projetos de infraestrutura urbana.
À medida que cresce o debate sobre a modernização da infraestrutura elétrica brasileira, contar com parceiros especializados torna-se cada vez mais importante para desenvolver projetos seguros, eficientes e preparados para as necessidades das próximas décadas.

